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Depoimentos

Ana Clara Froes, 16 anos, assistida Fundação Sara

Sim, existe vida após o câncer.


Ela nasceu e cresceu em Montes Claros/MG e sempre levou uma vida normal, cercada do amor dos familiares e amigos. No entanto, em 2016, no auge dos seus 15 anos, uma notícia mudou completamente sua vida. Quem conta é ela mesma, Ana Clara Froes, a jovem que tem encantado a todos com sua mensagem positiva no nosso cartão de fim de ano 2017.

“Eu tinha uma vida bastante ativa, religiosa e adorava viajar com os amigos. Em uma das minhas peraltices eu pulei de um caminhão (sim, eu pulei, não parava quieta) e depois disso comecei a sentir muitas dores. No início associava a dor ao impacto do pulo, mas a dor só piorava, mesmo com medicações. À medida que o problema se agravava, eu fazia exames para descobrir o que de fato tinha acontecido. Cheguei a perder o movimento das minhas pernas. Até que, mais ou menos um mês após o ocorrido (pulo do caminhão), veio a confirmação: Sarcoma de Ewing (localizado no osso/sacro). Sim, eu estava com câncer.

Soube da notícia por minha mãe. Ela, claro, procurou a maneira menos dolorosa (se é que existe) de me dizer isso. Conversou antes com os médicos, familiares, certificou se realmente aquilo era real, e sim, era real. Me lembro como se fosse hoje: o desespero em seu olhar, a dor em seu coração, seguidas de algumas palavras, dentre elas “ você está com câncer”. Engoli a notícia, respirei e, de dentro de mim, veio uma resposta para ela que, acredito ter sido uma surpresa. Olhei em seus olhos e disse: Mãe, vai ficar tudo bem. Eu vou fazer o tratamento e vamos vencer. Então nos abraçamos, sem noção do que estávamos prestes a passar. Sim, só quem passa sabe o quanto é doloroso.

Minha ficha só começou a cair no dia da minha primeira consulta, quando o médico detalhou como seria o tratamento, os efeitos colaterais, as limitações que eu teria dali pra frente, as renúncias. Pela primeira vez, uma lágrima caiu dos meus olhos, depois daquela terrível notícia.

Começou então o tratamento e comecei a viver na prática o antes eram apenas previsões. Sim, os cabelos caíram, alguns amigos sumiram... eu seria hipócrita se dissesse que foi fácil e que não doeu. Dói. Dói muito. Dói o corpo, dói a alma. Mas não foram apenas perdas. Ganhei muitos anjos. Cada um me abastecendo de força, boas energias, confiança e tudo que só anjos sabem fazer.

Para muitos, principalmente para as meninas, o que mais impacta é a perda dos cabelos. A mim também incomodou. Logo eu, perdendo meus lindos cabelos, onde eu depositava todo o meu charme e elegância (rs). Mas o que me abalou mesmo foi a perda de peso. Ah como doía olhar no espelho e não ver mais as curvas e o charme de menina moça que eu acabara de ganhar. Eu tinha medo e temia como as pessoas iriam me olhar. Pensava na rejeição e preconceito das pessoas. Eu achava que eu me definia pelo meu corpo e pelos meus cabelos.

Felizmente o tempo passa e a gente aprende a dar mais valor a coisas que não são vistas. Posso dizer que me deixei renascer com o tratamento e foi de fato quanto percebi minha real essência. Eu me preocupava com a aparência, sendo que o que está em meu coração é que externa o meu físico. Então foi hora de me aceitar em primeiro lugar e só assim percebi que o jeito com que eu me olho é que os outros me veem. Não foi fácil essa transição, mas vi que eu tinha que me amar, independentemente da minha aparência. Só abaixo exclusivamente de Deus e dos meus pais, que são tudo para mim. Eu percebi que era só uma fase ruim, uma fase que me traria muitos aprendizados, e isso eu busquei durante esse tempo todo.

Outra coisa que fundamental nesse processo foi o apoio das pessoas que estavam sempre ao meu lado. Meus pais, minha avó, minha prima Alana (que também teve o mesmo problema, e hoje está uma linda mulher e curada), meus amigos (os de verdade) que nunca me abandonaram.

Hoje, já com o "certificado" da cura, procuro dar sempre o melhor de mim em tudo, principalmente para ajudar outras pessoas e mostrar que não é, e nunca será o fim. Sim, existe vida após o câncer. Hoje me comparo a uma borboleta, que acabou de sair do seu casulo e está pronta para viver intensamente.”


Fundação Sara, novembro de 2017.



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